A diferença entre parque eólico onshore e offshore está no lugar onde as empresas instalam as turbinas e na quantidade de energia que cada uma produz. O parque eólico onshore fica na terra firme, onde apresenta menor custo de construção, além de exigir uma manutenção bastante simples e acessível. Por outro lado, os engenheiros constroem o modelo offshore no mar ou em grandes superfícies aquáticas, onde aproveitam ventos marítimos muito mais intensos e constantes para gerar até 50% mais energia por aerogerador (GWEC). No Brasil, enquanto a fonte onshore soma mais de 30 GW de capacidade instalada (ABEEólica), o setor offshore avança sob as novas regras que o Ministério de Minas e Energia (MME) established.
Para entender o impacto desse potencial no país, leia também o artigo Energia Eólica: 2x Mais Energia no Brasil.
O que é um parque eólico onshore e offshore?
A força dos ventos tornou a geração de eletricidade um dos pilares essenciais para produzir energia limpa e garantir a sustentabilidade do planeta. Contudo, o local exato onde os técnicos posicionam essas máquinas gigantes altera drasticamente o aproveitamento do vento, os custos da obra, a logística de transporte e o impacto no meio ambiente ao redor.
O parque eólico onshore consiste em um conjunto de aerogeradores que os operadores instalam diretamente no solo continental. Por exemplo, os desenvolvedores constroem essas usinas em campos abertos, serras, chapadas e áreas rurais. Além disso, o mercado conhece amplamente a tecnologia onshore, que se destaca por ser barata e por responder por mais de 90% de toda a capacidade eólica instalada no mundo inteiro (GWEC).
Por outro lado, a opção offshore reúne torres que os especialistas prendem no fundo do mar ou montam sobre plataformas flutuantes em alto-mar. Como o local fica longe dos obstáculos da terra firme — como montanhas, árvores, morros e prédios —, os ventos no oceano sopram sem encontrar barreiras no caminho. Como resultado, eles mantêm mais velocidade, sofrem menor variação brusca e ventam de forma constante durante todo o ano.
Resumo prático: O modelo onshore busca facilidade no transporte e menor custo de obra em terra firme. Em contrapartida, o modelo offshore foca na máxima eficiência de geração, aproveitando a força superior dos ventos do mar.
Quanto custa produzir energia em um parque eólico onshore vs. offshore?
Para entender se um projeto de energia elétrica realmente vale a pena, os analistas utilizam a conta do Custo Nivelado de Energia (LCOE). Portanto, esse cálculo soma todos os custos de construção, operação diária, consertos de peças e manutenção durante toda a vida útil da usina.
No ambiente terrestre (onshore), o investimento inicial de capital varia entre R$ 5,5 milhões e R$ 7,5 milhões por megawatt (MW) instalado (EPE). Afinal, o acesso facilitado para caminhões grandes e a presença de estradas prontas deixam a montagem rápida, previsível e bem mais barata para os investidores.
Entretanto, no ambiente marítimo (offshore), o valor pode passar de R$ 16 milhões a R$ 22 milhões por MW instalado (IRENA). Isso acontece porque as bases de metal precisam resistir à ferrugem que a água salgada causa, às fortes tempestades e ao choque diário das ondas. Além disso, as equipes precisam utilizar navios especiais e guindastes flutuantes com altíssimo custo de aluguel por dia.
| Comparação Direta | Parque Eólico Onshore (Terra) | Parque Eólico Offshore (Mar) |
| Lugar Comum | Campos, serras e zonas rurais | Alto-mar (fixo ou flutuante) |
| Uso da Capacidade | 35% a 52% do tempo (ABEEólica) | 48% a 65% do tempo (IRENA) |
| Custo de Obra (CAPEX) | R$ 5,5 mi – R$ 7,5 mi / MW | R$ 16 mi – R$ 22 mi / MW |
| Manutenção (OPEX) | Simples (uso de estradas) | Difícil (uso de barcos e helicópteros) |
| Tamanho da Turbina | 3 MW a 7 MW de potência | 10 MW a 18 MW de potência |
| Barulho e Visão | Vizinhos veem e ouvem | Quase sem impacto visto da praia |

Apesar de o custo inicial no mar ser cerca de 3 vezes maior, o fator de capacidade — ou seja, a porcentagem de tempo em que a usina funciona em sua potência máxima — compensa bastante esse valor ao longo dos anos. Dessa forma, à medida que a indústria desenvolve novas tecnologias, a energia vinda do mar tende a ficar cada vez mais barata.
Como escolher entre um parque eólico em terra e no mar?
A escolha estratégica de criar uma usina na terra ou no oceano exige que a equipe analise pontos cruciais de engenharia e impacto social:
1. Força dos ventos e produção de energia
Enquanto os ventos na terra mudam de velocidade e direção entre o dia e a noite, os ventos marítimos mantêm uma estabilidade excelente. Consequentemente, uma única turbina moderna no mar, com 15 MW de potência, gera eletricidade suficiente para abastecer milhares de casas, usando poucas torres em comparação com o modelo terrestre.

2. Logística e transporte de peças
O transporte de hélices gigantes de 80 metros por estradas e rodovias exige escoltas de trânsito, adaptação de pontes e fechamento temporário de pistas. Em contraste, no mar, barcaças marítimas de grande porte transportam hélices ainda maiores, com mais de 115 metros, sem encontrar viadutos, curvas fechadas ou trânsito urbano.
3. Licenciamento e impacto ambiental
Usinas na terra podem disputar espaço com a agricultura, gerar barulho para moradores próximos e afetar a rota de aves locais. Por outro lado, as estruturas no mar reduzem o barulho e o impacto na paisagem quando a empresa as instala longe da costa, embora exijam que os biólogos façam estudos rigorosos sobre a vida marinha, os peixes e as rotas de pesca da região.
Passo a passo para o desenvolvimento de um parque eólico
O processo completo de criação de uma usina renovável exige anos de planejamento detalhado e execução cuidadosa. Acompanhe assim as etapas fundamentais desse trabalho:
- Mapeamento do Vento (Anos 1 a 3): As equipes instalam torres de medição no solo ou boias com sensores no mar para registrar a velocidade, a direção e a constância dos ventos por longos períodos.
- Estudo de Impacto Ambiental (EIA/RIMA): Os especialistas fazem um levantamento detalhado sobre a vegetação, os animais, as comunidades vizinhas, a vida marinha e as características do solo ou do leito do oceano.
- Licenciamento e Autorizações: Os empreendedores obtêm as licenças ambientais junto aos órgãos do governo para garantir que o projeto respeite a natureza e a legislação vigente.
- Obras de Infraestrutura: Os operadores constroem estradas de acesso, bases de concreto e subestações elétricas na terra, ou fabricam bases metálicas, subestações flutuantes e cabos no fundo do mar.
- Montagem e Testes: Os técnicos içam as torres, os motores e as hélices com guindastes de grande porte, e em seguida realizam testes de conexão para integrar a usina com a rede elétrica nacional.
Cenário Atual e o Mercado Brasileiro de Parque Eólico
O mundo reconhece o Brasil como uma grande potência na geração eólica continental. Nesse contexto, a Região Nordeste lidera a produção no país, concentrando a maioria das usinas por causa dos ventos fortes, secos e constantes, conhecidos como ventos de quadra. Esses ventos garantem um rendimento muito acima da média global. Para conhecer os empreendimentos de maior destaque no território nacional, confira nossa lista sobre Parque Eólico: 5 Maiores do Brasil.
No setor dentro do mar, o país possui condições naturais igualmente favoráveis. Pois, com uma extensa faixa de litoral de águas rasas, as empresas encontram um potencial gigantesco para instalar usinas marítimas nas regiões Nordeste, Sudeste e Sul.
Além disso, o avanço de novas regras e diretrizes que o governo e o IBAMA criaram aumenta o interesse de grandes investidores internacionais. Para acompanhar dados atualizados sobre o setor em tempo real, você pode consultar o portal oficial da ABEEólica. Como resultado, vários desenvolvedores já deram entrada em pedidos de licença ambiental, mostrando um caminho promissor para a produção de energia limpa e para o futuro do hidrogênio verde no país.
Vantagens e Desvantagens Comparativas
Vantagens e Desvantagens em Destaque
Ao avaliar a instalação em terra ou no mar, os investidores levam em conta os seguintes fatores:
- No ambiente onshore: O projeto exige um custo inicial menor, os técnicos fazem a manutenção de forma rápida graças ao acesso fácil por estradas e o mercado domina amplamente a tecnologia. Contudo, morros e árvores causam interferência nos ventos, o transporte rodoviário limita o tamanho das hélices e as torres ficam mais perto das populações.
- No ambiente offshore: O mar oferece ventos muito mais fortes e contínuos, o que permite o uso de turbinas imensas de alta produtividade sem ocupar espaço em terra. No entanto, o modelo exige altos investimentos iniciais para contratar barcos especiais, instalar cabos submarinos resistentes e realizar a manutenção em alto-mar.
Perguntas Frequentes sobre Parque Eólico (FAQ)
Qual é o parque eólico offshore mais próximo de funcionar no Brasil?
Diversos projetos no Nordeste, Sudeste e Sul estão em fase avançada de estudos e pedidos de licença no IBAMA, enquanto aguardam os leilões formais em que o governo concederá o uso das áreas marítimas.
As turbinas no mar estragam com a água salgada?
Não. Pois os fabricantes constroem as turbinas do mar com metais muito resistentes, aplicam tintas especiais contra a ferrugem e utilizam sistemas internos de ar pressurizado que impedem a entrada de sal nas engrenagens e nos motores.
Por que as hélices das turbinas no mar são maiores que na terra?
Como o transporte feito por navios e barcaças não passa por pontes, túneis ou estradas estreitas, os engenheiros conseguem projetar hélices imensas. Portanto, quanto maior a hélice, maior é a área que o vento alcança e maior é a produção de energia.
Quanto tempo dura um parque eólico?
Os especialistas projetam que a vida útil de um parque eólico, seja na terra ou no mar, dura entre 20 e 25 anos. Após esse período, a empresa pode trocar os motores velhos por modelos mais modernos ou desativar a usina com segurança.
Próximos Passos
O crescimento integrado dos parques eólicos na terra e no mar é essencial para reduzir os gases poluentes e garantir um futuro sustentável.
Quer aprender mais sobre fontes de energia limpa? Continue acompanhando nossos conteúdos e confira nossos guias completos e descomplicados sobre o mercado de energia renovável.
Fontes e Referências
- ABEEólica (Associação Brasileira de Energia Eólica): Relatórios e Dados do Setor Eólico.
- EPE (Empresa de Pesquisa Energética): Estudos e Planejamento sobre Energia Offshore.
- GWEC (Global Wind Energy Council): Relatórios Globais sobre o Mercado Eólico Mundial.
- IRENA (International Renewable Energy Agency): Estudos de Custos da Geração Renovável.
- MME (Ministério de Minas e Energia): Diretrizes e Regras para Fontes de Energia Limpa.