Os 5 Maiores Parques Eólicos do Brasil

O Brasil possui alguns dos maiores projetos de energia renovável do planeta, sendo o Complexo Eólico Lagoa dos Ventos o maior parque eólico em operação da América Latina. A geração eólica nacional é concentrada principalmente na Região Nordeste, impulsionada por ventos constantes e de alta intensidade. Juntos, os cinco maiores complexos eólicos brasileiros somam mais de 5.000 MW de capacidade instalada, o que equivale a abastecer mais de 10 milhões de residências e evitar a emissão de milhões de toneladas de CO₂ ao ano (ANEEL, 2025).

A lista a seguir apresenta os cinco principais empreendimentos eólicos em operação no território nacional, ordenados por sua capacidade total de geração:

  1. Complexo Eólico Lagoa dos Ventos (PI) — ~1.500 MW
  2. Complexo Eólico Rio do Vento (RN) — ~1.038 MW
  3. Complexo Eólico Alto Sertão (BA) — ~1.000 MW
  4. Complexo Eólico Chafariz (PB) — ~471 MW
  5. Complexo Eólico Umburanas (BA) — ~360 MW

O Que São os Grandes Complexos Eólicos e Como Funcionam no Brasil?

Complexos eólicos agrupam diversas centrais geradoras sob uma mesma infraestrutura de escoamento. Em vez de operar parques isolados, os empreendedores reúnem dezenas de aerogeradores conectados a subestações compartilhadas. Essa estratégia reduz custos operacionais e otimiza a conexão com a rede de alta tensão.

A geografia do Nordeste explica a concentração dessas usinas na região. Os ventos alísios sopram de forma contínua e sem grandes oscilações de direção, vindos do oceano em direção ao continente. Na prática, isso garante um fator de capacidade médio superior a 50% no semiárido brasileiro (EPE, 2024), contra uma média global que raramente ultrapassa a faixa de 30% a 35%. O resultado é uma eficiência operacional que consolida a fonte eólica na segunda posição da nossa matriz elétrica, atrás apenas da hidroeletricidade.

Esse desempenho tem efeito direto no custo da energia: quanto maior o fator de capacidade, mais megawatts-hora são produzidos com o mesmo parque instalado — o que reduz o custo médio de cada MWh gerado e torna os projetos eólicos nordestinos competitivos até em comparação internacional.

A expansão dessas estruturas transforma a economia regional e acelera a descarbonização. Cidades antes dependentes da agropecuária hoje recebem royalties, empregos técnicos e uma cadeia de fornecedores que se instala ao redor dos parques. Entender o tamanho desses projetos ajuda a dimensionar o ritmo real da transição energética no país.

1. Complexo Eólico Lagoa dos Ventos: O Maior Gigante da América Latina

O Complexo Eólico Lagoa dos Ventos lidera o ranking continental com folga. Construído no Piauí, o projeto espalha suas estruturas pelos municípios de Lagoa do Barro do Piauí, Queimada Nova e Dom Inocêncio, em uma área de milhares de hectares de caatinga.

A planta soma aproximadamente 1.500 MW de capacidade instalada — um número que cresceu em etapas. A gestão do ativo fica a cargo da Enel Green Power, que concluiu a primeira fase em 2021 e, desde então, vem ampliando o complexo em novas expansões. São mais de 370 aerogeradores distribuídos pelo território, equipados com torres de alta eficiência adaptadas ao regime de ventos da região.

O volume de energia gerado atende cerca de 3,5 milhões de lares brasileiros (ANEEL, 2025). A dimensão de Lagoa dos Ventos impressiona não só pela potência, mas pela escala da operação: são subestações próprias, linhas de transmissão dedicadas e um centro de controle que monitora cada turbina em tempo real. Sua capacidade de integração tecnológica estabeleceu um novo padrão para megaprojetos renováveis na América do Sul — e transformou o Piauí, historicamente um dos estados menos industrializados do país, em protagonista da geração de energia limpa.

Aerogerador de grande porte em um parque eólico no interior do Nordeste brasileiro.

2. Complexo Eólico Rio do Vento: A Maior Estrutura Individual em Terra

O Complexo Eólico Rio do Vento ocupa o posto de maior parque eólico individual em terra da América Latina projetado em fase contínua. Operando no Rio Grande do Norte, o complexo abrange terras de Caiçara do Rio do Vento, Riachuelo, Ruy Barbosa e Pedra Preta.

A capacidade total atinge 1.038 MW, o que por si só já o colocaria entre os maiores do continente. O projeto foi concebido e estruturado pela Casa dos Ventos, uma das principais desenvolvedoras de energia renovável do país. O parque opera com mais de 240 turbinas eólicas de alta eficiência, instaladas em um terreno de relevo favorável que maximiza a captação dos ventos alísios.

A eletricidade gerada supre o consumo de 2,5 milhões de residências (MME, 2024). O grande trunfo aqui é o modelo de negócios: a produção não se destina apenas ao mercado tradicional — ela abastece diretamente grandes indústrias no Mercado Livre de Energia, por meio de contratos corporativos de longo prazo. Esse desenho garante receita previsível para o projeto e, ao mesmo tempo, oferece às empresas compradoras energia renovável com preço estável e certificado de origem limpa. É um exemplo concreto de como a eólica brasileira deixou de ser apenas infraestrutura e virou estratégia competitiva para a indústria nacional.

3. Complexo Eólico Alto Sertão: O Pioneiro do Interior Baiano

O Complexo Eólico Alto Sertão abriu portas para a interiorização da fonte eólica no Brasil. Quando os primeiros aerogeradores foram instalados, na década de 2010, boa parte do mercado ainda duvidava que o sertão nordestino pudesse sustentar projetos de grande porte. O empreendimento provou o contrário. Ele fica no sudoeste baiano, cobrindo os municípios de Guanambi, Caetité, Igaporã e Pindaí.

A capacidade instalada reunida na região alcança cerca de 1.000 MW, distribuídos em diferentes fases construídas ao longo dos anos. A operação é administrada pela Auren Energia, resultado da fusão com a AES Brasil — uma atualização importante, já que o complexo nasceu sob a gestão da AES. Centenas de turbinas aproveitam o relevo das serras baianas, que funcionam como canalizadores naturais do vento.

A geração contínua abastece em torno de 2,4 milhões de famílias (CCEE, 2024). Mais do que números, Alto Sertão representa um marco histórico: provou que o sertão nordestino podia se tornar um polo exportador de energia limpa para o resto do país, atraindo investimentos, empregos e infraestrutura para municípios que antes viviam quase exclusivamente da agricultura de sequeiro.

4. Complexo Eólico Chafariz: A Força da Geração na Paraíba

O Complexo Eólico Chafariz representa o principal polo de geração eólica em solo paraibano. A infraestrutura estende-se por Areia de Baraúnas, Salgadinho, Junco do Seridó e Santa Luzia, no sertão do estado.

O projeto entrega 471 MW de capacidade instalada. A Neoenergia responde pela operação e manutenção do ativo. O complexo utiliza 136 aerogeradores conectados a uma subestação dedicada, que concentra a energia gerada e a injeta no Sistema Interligado Nacional.

A energia produzida atende cerca de 1,2 milhão de habitações (ANEEL, 2024). O diferencial operacional está na localização estratégica: Chafariz foi planejado para atuar de forma sinérgica com parques solares vizinhos, otimizando o uso das linhas de transmissão existentes. Essa convivência entre eólica e solar na mesma região é um dos embriões do modelo híbrido que o setor passou a perseguir — em que duas fontes complementares compartilham infraestrutura e aumentam a produtividade média do ponto de conexão, reduzindo o desperdício de capacidade de transmissão.

5. Complexo Eólico Umburanas: Eficiência no Sertão da Bahia

O Complexo Eólico Umburanas fecha o grupo dos cinco maiores empreendimentos do país. O complexo está instalado integralmente no município de Sento Sé, no norte da Bahia, região de ventos intensos e consistentes ao longo do ano.

A capacidade total do parque é de 360 MW. A operação está sob responsabilidade da ENGIE Brasil Energia. As 144 turbinas eólicas do projeto foram posicionadas a partir de estudos detalhados de micrositing — a análise fina do relevo e do fluxo de vento em cada ponto — para captar o máximo potencial dos ventos locais.

A usina consegue suprir o consumo de 800 mil lares (ENGIE, 2024). Parte dessa energia é comercializada diretamente no Mercado Livre, seguindo a tendência dos grandes complexos brasileiros. Em termos técnicos, a planta se destaca pela automação: sistemas preditivos monitoram o desgaste de pás, rolamentos e demais componentes, programam a manutenção antes da falha e evitam paradas não planejadas na rede. É um exemplo de como a maturidade da eólica brasileira hoje passa tanto por construir gigantes quanto por operá-los com eficiência máxima.

Resumo da Capacidade dos Maiores Complexos Eólicos do Brasil

A tabela abaixo reúne os dados fundamentais das maiores usinas eólicas em atividade no país:

Complexo EólicoEstado (UF)Capacidade Instalada (MW)Empresa ResponsávelNº de TurbinasImpacto Estimado
Lagoa dos VentosPiauí (PI)~1.500 MWEnel Green Power+370~3,5 mi de casas
Rio do VentoRio Grande do Norte (RN)1.038 MWCasa dos Ventos+240~2,5 mi de casas
Alto SertãoBahia (BA)~1.000 MWAuren / AES Brasil+400~2,4 mi de casas
ChafarizParaíba (PB)471 MWNeoenergia136~1,2 mi de casas
UmburanasBahia (BA)360 MWENGIE Brasil144~800 mil casas

Os cinco complexos somam quase 4,4 GW — energia suficiente para abastecer uma população equivalente à de muitos estados brasileiros. O padrão do ranking também revela uma característica estrutural do setor: a liderança está dividida entre grandes grupos internacionais (Enel, ENGIE) e desenvolvedoras nacionais consolidadas (Casa dos Ventos, Auren), o que mostra um mercado maduro, competitivo e com capital diversificado.

Como a Energia dos Parques Chega Até Sua Casa

Para quem não vive no setor, o caminho da energia pode parecer complexo. Na prática, ele segue cinco etapas simples:

  • Captação: o vento movimenta as pás do aerogerador, transformando energia cinética em rotação do rotor.
  • Conversão: o gerador, acoplado à turbina, converte essa rotação em eletricidade.
  • Elevação: uma subestação dentro do parque eleva a tensão da energia para que ela perca menos ao viajar longas distâncias.
  • Transmissão: a energia percorre linhas de alta tensão do SIN, operado pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), que pode atravessar milhares de quilômetros, do Nordeste ao Sudeste.
  • Distribuição: nas proximidades dos centros de consumo, a tensão é rebaixada e a energia é entregue pelas distribuidoras até residências e empresas.

É esse desenho que permite ao Brasil transportar vento do semiárido para abastecer indústrias e cidades de outras regiões.

O Papel dos Megacomplexos na Matriz Elétrica: A Safra dos Ventos

Megacomplexos eólicos mudaram a dinâmica do setor elétrico nacional de uma forma pouco notada fora do setor: eles criaram a chamada “safra dos ventos”. Como os ventos nordestinos são mais fortes justamente no período seco — quando os reservatórios das hidrelétricas estão baixos —, a eólica funciona como uma reserva natural de energia no momento em que a hidroeletricidade mais precisa de alívio.

Concentrar alta capacidade geradora no Nordeste reduz, portanto, a necessidade de acionar termelétricas fósseis nos períodos de escassez hídrica. O meio ambiente agradece, e o custo final da energia cai: cada MWh eólico que substitui uma termelétrica a diesel ou a gás evita emissões e reduz o preço médio pago por todos os consumidores do SIN.

O Futuro: Offshore, Hibridização e Hidrogênio Verde

Vista panorâmica de um parque eólico offshore instalado no mar ao amanhecer.

O próximo passo dessa expansão envolve a hibridização das usinas. Projetos atuais já começam a combinar turbinas eólicas, painéis solares e sistemas de armazenamento em baterias (BESS) no mesmo ponto de conexão. Essa integração garante um fornecimento mais estável ao longo do dia — sol pela manhã, vento à tarde, bateria à noite — e prepara o terreno para a produção de hidrogênio verde em larga escala no Brasil.

Há ainda o potencial das eólicas offshore, instaladas no mar, onde os ventos são mais constantes e fortes. O litoral brasileiro, com sua extensão e plataforma continental rasa, é considerado um dos mais promissores do mundo para essa tecnologia. Se a eólica onshore em terra colocou o Brasil entre os cinco maiores geradores do planeta (GWEC, 2026), o mar pode representar a próxima fronteira de crescimento nas próximas décadas.

Perguntas Frequentes

Qual é o maior complexo eólico da América Latina?

O Complexo Eólico Lagoa dos Ventos, no Piauí, com aproximadamente 1.500 MW de capacidade instalada e mais de 370 aerogeradores, opera sob gestão da Enel Green Power.

Quantas casas os cinco maiores complexos abastecem?

Somando o impacto estimado dos cinco, são mais de 10 milhões de residências atendidas — equivalente à população de grandes metrópoles brasileiras.

Por que a maioria dos parques eólicos fica no Nordeste?

A região recebe os ventos alísios, que sopram de forma constante e com direção estável durante quase todo o ano. Isso garante fator de capacidade superior a 50%, bem acima da média mundial.

O que é o fator de capacidade?

É a relação entre a energia efetivamente gerada e a capacidade máxima teórica do parque. Quanto maior, mais eficiente e mais barato é o MWh produzido.

Qual a diferença entre eólica onshore e offshore?

Onshore é instalada em terra; offshore, no mar. A offshore ainda é incipiente no Brasil, mas tem enorme potencial pelo perfil do litoral.

Disclaimer: os valores apresentados são estimativas e projeções de fontes setoriais e podem mudar com a regulamentação e o mercado. Este conteúdo é informativo e não substitui análise técnica, financeira ou jurídica para decisões de investimento.

Fontes e Referências

  • AGÊNCIA NACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA (ANEEL). Sistema de Informações de Geração da ANEEL (SIGA). Brasília, 2025.
  • CÂMARA DE COMERCIALIZAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA (CCEE). InfoMercado: Dados Globais de Operação e Comercialização. São Paulo, 2024.
  • EMPRESA DE PESQUISA ENERGÉTICA (EPE). Balanço Energético Nacional 2024: Ano base 2023. Rio de Janeiro: EPE, 2024.
  • ENGIE BRASIL ENERGIA. Relatório de Sustentabilidade e Operações. Florianópolis, 2024.
  • MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA (MME). Boletim de Monitoramento do Sistema Elétrico Brasileiro. Brasília: MME, 2024.
  • GLOBAL WIND ENERGY COUNCIL (GWEC). Global Wind Report 2026. Bruxelas, 2026.

Autor: Energy Vision Hub

Última atualização: Setembro/2026

1 comentário em “Os 5 Maiores Parques Eólicos do Brasil”

Deixe um comentário