A energia maremotriz consiste no uso da força das marés para gerar eletricidade limpa. No Brasil, o potencial dessa fonte fica principalmente no Norte e no Nordeste. Isso ocorre porque o nível da água varia muito nessas regiões todos os dias.
De acordo com estudos oficiais, o potencial do país é maior que 80 GW. Contudo, construir uma usina ainda custa muito caro. Por isso, o valor inicial vai de R$ 15.000 a R$ 22.000 por kW instalado.
Hoje em dia, o mundo inteiro busca novas fontes de energia. O grande objetivo é diminuir a poluição e, consequentemente, proteger o planeta das mudanças climáticas.
Portanto, enquanto o país avança na energia solar e eólica, o mar vira a nova opção de foco. Por isso, entender como usar esse fluxo é vital para o futuro da nossa energia.
O que é a tecnologia maremotriz e como funciona?
Em primeiro lugar, o sistema gera energia com o movimento de subida e descida do mar.
Diferente do sol e do vento, as marés são totalmente previsíveis. Nós conseguimos saber os horários com anos de antecedência. Consequentemente, isso ajuda muito a planejar a distribuição da eletricidade.
Essa variação do mar acontece por causa da força da Lua e do Sol sobre a Terra. Assim, para colher essa força, os engenheiros criaram modos diferentes para cada tipo de praia.
Sistemas de barragem maremotriz
As barragens são muros grandes construídos em entradas de água ou baías. Desse modo, quando a maré sobe, a água passa por portas abertas e fica presa em um lago artificial.
Depois, quando a maré do mar baixa, sobra muita água represada do lado de dentro. Logo após, essa água é solta e passa por turbinas hidráulicas.
Por fim, esse movimento faz os geradores funcionarem. Assim, o processo cria energia de um jeito muito igual ao de uma usina hidrelétrica comum.

Turbinas de corrente marítima e o fluxo maremotriz
Por outro lado, existe um modelo moderno que não precisa de muros ou grandes obras. Essa opção usa hélices submersas presas direto no fundo do mar. Elas são bem parecidas com os cata-ventos da energia eólica.
Esses aparelhos rodam com a força das correntes que passam embaixo d’água. Como a água é muito mais pesada que o ar, as pás geram muita energia mesmo rodando devagar.
Portanto, esse tipo de tecnologia quase não muda a paisagem da praia. Além disso, ele protege mais os peixes, plantas e o ecossistema dos rios.

O potencial da matriz maremotriz no Brasil
A costa do Brasil é gigante e tem mais de 7.300 quilômetros. Apesar disso, os melhores lugares para a geração mudam muito dependendo do estado.
Por exemplo, as regiões Sul e Sudeste têm marés pequenas, que mudam menos de 2 metros. Por causa disso, não vale a pena gastar dinheiro com usinas nessas praias.
Em contrapartida, estados como Maranhão, Pará e Amapá são perfeitos para o projeto. No Porto do Itaqui, no Maranhão, a água chega a subir mais de 7 metros em alguns dias. Como resultado, é uma das maiores variações de maré do mundo.
Ademais, se o Brasil usasse só 10% da força das marés do Norte, ganharia 8 GW de energia nova.
Essa eletricidade daria para abastecer milhões de casas. Igualmente, ajudaria a poupar a água dos rios do Sudeste e evitaria o uso de usinas térmicas que poluem o ar.
Oportunidades no estuário amazônico
Além do Maranhão, a foz do Rio Amazonas tem águas muito fortes. Nesses locais, o encontro do rio com o mar cria correntes rápidas embaixo da superfície.
Dessa forma, estudos de pesquisadores mostram que o fluxo dali pode gerar muita eletricidade.
Portanto, essa tecnologia pode ligar a luz em vilas distantes que hoje usam geradores a diesel. Com isso, traz-se energia limpa de forma simples e segura.
Desafios e passos para implementar projetos de energia maremotriz
Montar uma usina exige muito trabalho e envolve várias regras. O mar é um lugar difícil, com sal que enferruja o ferro e ondas fortes. Por isso, cada passo deve ser bem planejado para evitar que as máquinas quebrem antes da hora.
Mapeamento técnico e viabilidade econômica
- Estudos de Água e Relevo: Medir a velocidade das correntes e o tamanho das marés por até dois anos. Esse teste longo serve para garantir que o projeto vai gerar energia o ano todo.
- Estudo de Custos e Lucro: Calcular os gastos para colocar as máquinas no mar. Além disso, somam-se os custos com barcos de conserto e o tamanho dos cabos até a rede de luz da cidade.
Licenciamento legal e regulação setorial
- Licença Ambiental Rígida: Fazer relatórios profundos sobre a natureza. Esse documento serve para ver se a usina não vai atrapalhar os peixes ou a vida dos pescadores da região.
- Autorização da ANEEL: Pedir a aprovação oficial da Agência Nacional de Energia Elétrica. Também é preciso combinar com os órgãos que cuidam da transmissão da luz no país.
O obstáculo técnico da incrustação biológica
Paralelamente, o maior problema para os técnicos é o chamado biofouling, que é a sujeira viva. Esse nome serve para explicar o acúmulo de bichos do mar — como cracas e algas — nas pás das turbinas.
Por conseguinte, essa sujeira natural faz as pás pesarem e rodarem pior. Do mesmo modo, exige que as máquinas parem toda hora para limpeza, o que aumenta os custos do projeto ao longo dos anos.
Antes de analisar os dados comparativos abaixo, aproveite para aprofundar seus conhecimentos e descubra como as usinas no mar operam em condições extremas: acesse o artigo Energia Eólica em Alto Mar: Como Funciona o Sistema e veja os detalhes dessa tecnologia.
Comparativo técnico: Fonte maremotriz vs. Outras renováveis
Quem investe em energia compara a opção do mar com o sol e o vento, que já funcionam bem no Brasil:
| Indicador de Análise | Energia Maremotriz | Energia Eólica no Mar | Energia Solar |
| Previsibilidade | Total (Sabemos as marés sempre) | Oscila (Depende do vento) | Oscila (Só funciona de dia) |
| Eficiência | 35% a 40% (IRENA, 2025) | 45% a 55% (EPE, 2024) | 20% a 26% (ABSOLAR, 2025) |
| Custo da Obra | Alto (R$ 15k – R$ 22k/kW) | Médio-Alto (R$ 11k – R$ 16k/kW) | Baixo (R$ 3,5k – R$ 5k/kW) |
| Impacto Visual | Baixo (Fica embaixo d’água) | Médio (Dá para ver no horizonte) | Nenhum (Fica longe do mar) |
| Duração das Peças | Alta (Feita para durar muito) | Média (O vento gasta as pás) | Média-Alta (As placas perdem força) |
Em suma, o comparativo mostra que a instalação da tecnologia custa caro. No entanto, o mar oferece vantagens operacionais valiosas quando comparado ao preço baixo do sol.
Por exemplo, as placas solares não funcionam à noite e os moinhos de vento param se o tempo acalmar. Em contraste, as marés nunca param. Elas garantem uma produção firme e certa, sem depender do clima do dia.
Impactos ambientais e sustentabilidade nos oceanos
Por certo, qualquer grande obra muda a natureza ao redor, e com essa fonte faz o mesmo. Todavia, a vantagem é que a engenharia de hoje consegue prever e diminuir esses problemas durante a construção.
No caso das barragens, fechar a água pode mudar o sal da praia. Como consequência, a terra e a areia do fundo ficam presas no muro, tirando o alimento das plantas da costa.
Os manguezais precisam das marés subindo e descendo para continuar vivos. Por essa razão, os muros precisam de portas inteligentes que deixam a sujeira natural passar sem problemas.
Por outro lado, os cata-ventos que ficam embaixo d’água causam bem menos impacto. Eles ocupam espaços pequenos e viram abrigo para peixes pequenos depois de um tempo.
Além disso, os técnicos medem o barulho das hélices o tempo todo. O objetivo é garantir que o som não vai assustar ou atrapalhar golfinhos e baleias que nadam por perto.
Para entender como a engenharia lida com os custos e projeta estruturas capazes de resistir ao tempo, leia o texto completo Conheça a Energia Maremotriz e o Sistema que Dura 100 Anos e entenda os segredos dessa durabilidade.
O papel da inovação tecnológica na redução de custos
Certamente, para o uso ficar barato como o sol e o vento, a tecnologia precisa evoluir. Por isso, os cientistas testam novos tipos de metais e tintas especiais contra a ferrugem. Assim, as peças podem funcionar no sal por muitos anos sem estragar.
Do mesmo modo, criar peças padronizadas e turbinas que flutuam ajuda bastante. Dessa maneira, fica mais fácil e barato montar o sistema e fazer os consertos no mar.
Portanto, em vez de prender a base da usina com cimento no fundo do mar, as novas plataformas usam cabos de ancoragem fortes para amarrar.
Esse modelo permite soltar a usina e puxá-la com um barco até a praia quando precisar de conserto. Como resultado, o processo reduz muito os custos com navios caros que hoje limitam o crescimento do setor.
FAQ — Perguntas frequentes sobre o setor maremotriz
Qual a diferença entre energia maremotriz e undecimotriz?
Brevemente, a primeira usa a subida e descida das marés ou a velocidade das correntes do fundo do mar. Por outro lado, a energia undecimotriz usa o balanço das ondas que ficam na superfície da água, que sobem com a força do vento.
Existem usinas comerciais no Brasil atualmente?
Não, ainda não temos usinas comerciais mandando energia para as nossas casas. Atualmente, o que temos no Brasil são projetos de testes em universidades e empresas para ver como os metais resistem ao sal do mar.
Quais são as peças principais de uma usina das marés?
Em geral, as peças principais são as pás, o eixo e o gerador. Além disso, usam-se sistemas eletrônicos e cabos grossos embaixo d’água para levar a eletricidade até a praia.
A profundidade do mar muda a geração dessa energia?
A profundidade escolhe o tipo de máquina que você vai usar. Por exemplo, lugares rasos perto de rios são bons para construir muros e barragens. Em contraste, áreas fundas com correntes fortes são ideais para as turbinas submersas.
Cenário de desenvolvimento e o futuro do investimento maremotriz
Em conclusão, o futuro da energia do mar no país depende de novas leis de incentivo do governo. Além disso, ajuda muito ter impostos mais baixos e leilões específicos para a compra dessa energia limpa.
Portanto, regras claras para o uso do mar dão mais segurança jurídica. Dessa forma, grandes empresas de fora vão investir no Brasil com mais tranquilidade.
Os fundos de investimento que buscam projetos verdes abrem espaço para novos negócios. Essas parcerias vão ajudar a pagar as primeiras usinas no Norte e Nordeste. Consequentemente, vão transformar a força do nosso mar em energia elétrica limpa, barata e sem poluição.
Fontes e Referências
- ABSOLAR (Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica). Infográfico da Matriz de Energia Renovável e Capacidade Instalada Nacional. Ano: 2025.
- ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica). Dados de Geração Distribuição e Fontes Emergentes. Disponível em: Portal da Transparência ANEEL. Ano: 2025.
- EPE (Empresa de Pesquisa Energética). Nota Técnico-Estratégica das Fontes de Energia Oceânica no Brasil. Ministério de Minas e Energia. Disponível em: Estudos e Publicações EPE. Ano: 2024.
- IRENA (International Renewable Energy Agency). Renewable Power Generation Costs and Ocean Energy Technologies Report. Ano: 2025.
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